segunda-feira, 22 de maio de 2017

PARNA Montanhas do Tumucumaque participa de Consulta Prévia com os Povos Wajãpi

Consulta prévia aconteceu na Terra Indígena do Wajãpi.
Foto: Cassandra Oliveira

De 17 a 21 de maio, os Povos Indígenas Wajãpi foram consultados por órgãos governais, nos termos da convenção n. 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), sobre alterações às proximidades do seu território. O evento aconteceu na Terra Indígena Wajãpi, no oeste do Amapá, a 200 km da capital Macapá. O Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque participou e apoiou a consulta.

Durante a primeira etapa da Consulta Prévia, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e o Instituto Estadual de Florestas (IEF) propõem mudança de limites e a expansão do Assentamento Agrícola Perimetral Norte e alterações na Floresta Estadual (Flota), localizados no entorno da Terra Indígena.

Jawaruwa Waiapi apresentando o Protocolo de Consulta
Foto: Cassandra Oliveira
O Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque (PNMT), vizinho da Terra Indígena do Wajãpi, foi representado pela analista ambiental Cassandra Oliveira, que acompanha a luta dos Povos Indígenas Wajãpi desde 2007.

“Me sinto muito feliz por ver um povo de cultura forte e viva, organizado e nos ensinando que os valores mais básicos, como respeito, cooperação, diálogo, união e persistência fazem com que um povo garanta e mantenha seus direitos”, relatou.

Conforme Cassandra, a OIT 169 foi aplicada pela primeira vez no Brasil, a partir de um protocolo elaborado pelo próprio povo consultado.


“Eles definiram como o Estado deveria consultá-los e o que era necessário para que eles se sentissem seguros para acatar, ou não, a decisão que o poder público quer tomar. Foi um momento histórico para os povos indígenas de todo Brasil e um marco importante nas lutas dos povos tradicionais”, informou.

quarta-feira, 26 de abril de 2017

No Amapá, Parques Nacionais promovem projeto quelônios nas bacias dos rios Oiapoque e Cassiporé

Atividades contribuem com o repovoamento das espécies de tracajás e tartarugas-da-amazônia.
Projeto atua há 10 anos com ajuda dos Parques Nacionais Montanhas do Tumucumaque e Cabo Orange.

Quelônio na região do Oiapoque. Foto: Luciano Candisani

Pertencentes à ordem Chelonia, Quelônios são répteis ovíparos que possuem uma carapaça, que tem como principal função garantir a proteção do corpo dos animais contra predadores e impactos físicos.  No Amapá, um projeto de manejo e proteção, que tem a participação de dois Parques Nacionais, deseja contribuir com o repovoamento das espécies de tracajás (Podocnemis unifilis) e tartarugas-da-amazônia (Podocnemis expansa), consideradas Quase Ameaçada (NT) de extinção.

As atividades de proteção já acontecem há 10 anos em parceria com o Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque (PNMT), Parque Nacional Cabo Orange (PNCO), Associação Ambiental Pegadas do Oiapoque (AAPO), Chácara Du Rona (CDR), Escritório Regional do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) de Oiapoque e Comunidades de Vila Velha do Cassiporé, a 140 quilômetros da cidade de Oiapoque, e Primeiro do Cassiporé, a 110 quilômetros.

Filhotes no taque de Vila Velha. Foto: Acervo do PNCO
“Lidar com filhotes de tartaruga e tracajás atraem muito atenção da criança, do adulto, e tem o poder educação ambiental muito forte”, conta o Ricardo Motta Pires, chefe da Unidade de Conservação Parque Nacional do Cabo Orange (PNCO), no extremo norte do Amapá, sobre a atuação do Projeto Quelônios.

O projeto de manejo para conservação de quelônios surgiu da preocupação de moradores das comunidades ao redor das bacias dos rios Oiapoque e Cassiporé com a redução dos estoques naturais de tracajás e tartarugas-da-amazônia.

“Uma analista ambiental que trabalhava para o Cabo Orange era bastante envolvida com estudos sobre quelônios, além disso, sabemos que estes animais são simpáticos para a população em geral, por isso vimos que precisávamos pensar em algo que pudesse contribuir com o efeito de repovoamento da espécie, pois segundo os comunitários, estavam diminuindo muito a ocorrência de tracajás, e principalmente de tartaruga. Um projeto como este também nos ajudaria a dialogar com as pessoas sobre a conservação da fauna e flora da região”, explica o Ricardo Pires, Chefe do PNCO.

Em 2007, as atividades de manejo iniciaram no rio Oiapoque, em parceria com o PARNA Montanhas do Tumucumaque e “Chácara Du Rona”. A Equipe do PARNA Cabo Orange que fica na cidade de Oiapoque ajudou.

“Se coletou ovos no rio Oiapoque e levou para incubar, que é colocar os ovos em um ninho artificial, na Chácara du Rona. E depois soltou no rio Oiapoque. Em 2007 foi a primeira vez que teve projeto na região e foi na cidade de Oiapoque”, explica Ivan Vasconcelos, analista ambiental do Instituto Chico Mendes de Conservação e Biodiversidade (ICMBio).

No norte do Amapá, a tartaruga-da-amazônia só ocorre no Rio Cassiporé. A espécie do Tracajá existe tanto no Cassiporé, quanto no rio Oiapoque e afluentes. Todas as coletas nos Parque Nacionais são feitas com autorização do ICMbio, a partir de solicitação de pesquisa registrado no SISBIO/ICMBio.

Ovos coletados no rio Oiapoque. Foto: Acervo PNCO
QUELÔNIOS NO TUMUCUMAQUE

“Tudo começa com a coleta. Fazemos a coleta dentro do Tumucumaque, no rio Anotae e, também no rio Oiapoque. Demora cerca de 3 a 5 dias cada viagem, para podemos realizar esse trabalho”, comenta Thon Miranda, Coordenador de Comunicação e Relação Interinstitucional da Associação Ambiental Pegadas de Oiapoque (AAPO).

A coleta de ovos de tracajás inicia no fim do mês de setembro e se estende até a primeira quinzena de novembro. “Todos os ovos são coletados em protótipos de garrafa pet, pois necessitamos retirar um pouco da areia do local onde eles estão, por conta de uma secreção que os animais soltam na terra”, explica Thon.

Os ovos coletados nos arredores do Tumucumaque são levados para incubação artificial localizada na Chácara du Rona, na cidade de Oiapoque. “Quando chegamos de campo já fazemos o plantio dentro da incubadora. Da mesma forma que retiramos do ninho natural temos que implantar na incubadora. Depois de no mínimo 50 dias, verificamos a cova para ver se os ovos já estão eclodindo”, conta Thon.

Após a eclosão os ovos são colocados no tanque. A soltura dos tracajás ocorrem no rio Oiapoque e no seu afluente Anotae.“A soltura ocorre no perímetro do Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque. Pois os tracajás voltam para reproduzir sempre nos locais que nasceram, nas mesmas praias”, diz Thon.

De acordo com a AAPO, no ano de 2008, foram coletados 800 ovos no rio Anotae, afluente do rio Oiapoque, tendo eclodido 756. Em 2011, foram coletados 1315 ovos, tendo eclodido 1127. Em 2014 foram 3085, com nascimento de 3015 tracajás.

Segundo Adelilson Rodrigues, coordenador de campo da AAPO, os dados sobre as atividades do ano 2016 ainda não tinham sido finalizados devido a problemas ocorridos durante a etapa.

“Tivemos perda sim, mais foi uma quantia pequena, só os filhotes que realmente não tinham condições de sobreviver nem no seu ninho natural. Os motivos das mortes foram naturais mesmo, mal desenvolvimento do filhote e ovos que não geraram filhotes”, explica Rodrigues.

A atuação do Projeto Quelônios, além de contribuir para o repovoamento das espécies quase ameaçadas de extinção, objetiva promover a educação ambiental nas escolas das comunidades, o incentivo ao turismo de base comunitária e integração da comunidade com a gestão das Unidades de Conservação, conforme informou a AAPO.                       

Soltura na comunidade de Vila Velha. Foto: Acervo PNCO
QUELÔNIOS NO CABO ORANGE

De acordo com Ricardo Pires, Chefe do PNCO, as coletas de ovos de tracajás e tartarugas-da-amazônia acontecem nos limites do PARNA Cabo Orange e no interior da unidade de conservação (UC). “Agora a coleta também é realizada dentro do Parque, no lago Matupiri, e também no entorno, ao longo das margens rio Cassiporé”, explica.

Segundo Ivan Vasconcelos, analista ambiental do ICMBio, no ano de 2016 a Vila Velha do Cassiporé,  obteve 600 filhotes de tracajás e cerca de 200 tartarugas, que foram devolvidos a natureza. Na Vila de Primeiro do Cassiporé, nasceram 2000 tracajás e 515 tartarugas. Essas comunidades fazem parte do Assentamento Agroextrativista do Instituto Nacional de Colonização e Reforma (INCRA), localizadas ao redor do parque.

A comunidade de Quilombola do Cunani, distrito de Calçoene, também participou do projeto 2010 e 2011, mas parou devido à dificuldade para oferecer apoio. As atividades pretendem voltar em breve. “Fizemos em Cunani uma vez. Eles cobram muito da gente, o problema é a distância para dar apoio logístico, mas achamos importante voltar”, conta Ricardo.


PODOCNEMIS EXPANSA (TARTARUGA-DA-AMAZÔNIA)

A tartaruga-da-amazônia, Capitari para os machos, é essencialmente aquática que vive tanto em sistemas de água branca como em águas escuras. A espécie chega a medir 90 cm de comprimento e pesar 65 kg. Ocorre na Colômbia, Venezuela, Guianas, Brasil, Peru, Equador e Bolívia. 

A espécie possui um único período reprodutivo anual. As fêmeas depositam uma única ninhada por temporada reprodutiva, desovando em áreas abertas. O período de incubação varia entre 45 e 75 dias. O número de ovos e os seus tamanhos variam de acordo com a localidade, sendo encontrados desde ninhos com 50 até 135 ovos.

PODOCNEMIS UNIFILIS (TRACAJÁ)

Espécie de cágado muito comum na Amazônia, Tracajá (fêmeas), Zé prego (macho), que vive entre 60 e 90 anos em habitat natural. Quando adulto, chega a ter 45 cm de comprimento, com cerca de 8 quilos de peso. Ocorre no Brasil, Venezuela, Colômbia, Equador, Peru, Bolívia, Guiana, Guina Francesa e Suriname. O problema é o comércio ilegal que ocasiona a caça predatória dos animais adultos junto com os ovos, classificando assim a espécie como Quase Ameaçada (NT) de extinção.

Durante o período reprodutivo, os tracajás põem cerca de 15 a 30 em buracos na margem dos rios, onde camufla o ninho com lama e folhas. A incubação leva de 90 a 220 dias. Os filhotes quase sempre são ameaçados por onças, aves e até alguns peixes carnívoros, em média, apenas um ou dois animais de cada ninhada atingem a fase adulta.

Tracajá Albina eclodida na Comunidade de Primeiro Cassiporé. Foto: Acervo do PNCO

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Curso capacita gestores de unidades de conservação e guarda-parques do Amapá


Capacitação é destinada para gestores de UC e guarda-parques já formados. Foto: Roberto Zanin

De 1 a 7 de abril, acontece o Curso de Guarda-parque: intercâmbio de experiências para gestão territorial, dentro do Projeto Capacitar para Conservar. As atividades são organizadas pela Equipe de Conservação da Amazônia (Ecam), o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a Universidade Federal do Amapá (Unifap), a Secretaria Estadual de Meio Ambiente do Amapá (Sema /AP), a Associação de Guarda-Parques do Amapá (AGPA) e financiado Fundo Amazônia, gerido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).


Curso encerra na sexta-feira (7). Foto: Roberto Zanin
A capacitação pretende promover a troca de experiências em Gestão Territorial e é destinada a gestores de Unidades de Conservação e guarda-parques já formados, com experiência de atuação em ações de conservação, visando aperfeiçoar as atividades ambientais nas áreas protegidas e nas comunidades, conforme informou a organização.

O curso será divido em dois momentos: O presencial, que acontece até sexta-feira (7), no Atalanta Hotel em Macapá, no centro da cidade, e a fase de acompanhamento, quando os cursistas voltam as suas unidades.


De acordo com a organização do evento, as atividades iniciaram com a divisão dos participantes em grupos, para debaterem sobre os conceitos fundamentais de gestão territorial, gestão ambiental pública, legislação ambiental e participação social. Nos próximos dias serão discutidos planejamento de paisagem sustentáveis, participação e comunicação, turismo, unidades de conservação e gestão de conflitos.

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

4º etapa de campo do Monitoramento Participativo da Biodiversidade é realizada no Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque

De 1 a 10 de novembro aconteceu a 4º etapa de campo do Projeto de Monitoramento Participativo da Biodiversidade, no Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque, na área localizada no município de Serra do Navio. 

Limite do Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque. Foto: Charly Sanches.

O Projeto tem como objetivo envolver atores locais na conservação das espécies de plantas e animais e manejo adequado de recursos naturais e é promovido pelo Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ) e Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), com apoio da USAID, Fundação Moore e Programa Áreas Protegidas da Amazônia (ARPA).

Durante essa etapa de campo, foram realizados (na trilha 02) cinco dias de censo por avistamento de mamíferos terrestres de médio e grande porte e aves cinegéticas. Além disso foram realizados a abertura de parcela de Cruz de Malta (Metodologia de amostra de população de árvores) e abertura da trilha 03, que será utilizada nas próximas etapas do monitoramento. Os 7 dias de atividades contaram com a participação do Chefe de Unidade Christoph Jaster, o técnico Pablo Cantuária, 04 monitores do Assentamento da Perimetral Norte, 03 estagiários do NGI/ICMBio e equipe de apoio.

Monitores no 5º dia de censo por avistamento. Foto: Charly Sanches.

Segundo a consultora Laís Fernandes, responsável pelo Projeto no Amapá, as etapas de campo de 2016 ocorreram dentro do planejado. O ano contou com o maior número de avistamentos desde o início das etapas de campo, 202 indivíduos de 35 espécies de mamíferos e aves cinegéticas. Entre esses podemos destacar a onça-pintada, gato maracajá, veado campeiro, mutum, anta, caititu e macaco prego.

Também foram coletadas e soltas 499 borboletas frugívoras de 11 tribos diferentes, durante etapas anteriores realizadas neste ano. Vale ressaltar ainda, que o PARNA Tumucumaque conta com a maior árvore amostrada dentro de uma parcela de Cruz de Malta do Projeto de Monitoramento, um argelim de cerca de 61 metros de altura.

As próximas etapas do Monitoramento Participativo da Biodiversidade estão previstas para maio de 2017.

Argelim localizado na parcela de Cruz de Malta. Foto: Charly Sanches.

Altura do Argelim. Foto: Charly Sanches.

Amostragem na Sub-parcela Norte. Foto: Charly Sanches.
Foto: Charly Sanches.


quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Inscrições abertas para o 4º Curso de Formação de Guarda Parques

A Equipe de Conservação da Amazônia - Ecam, o Instituto Chico Mendes de Biodiversidade - ICMBio, a Universidade Federal do Amapá - UNIFAP, a Secretaria Estadual de Meio Ambiente - Sema-AP e a Associação de Guarda-Parques do Amapá - AGPA tornam pública a realização do 4º Curso de Formação de Guarda-Parques, que ocorre no âmbito do Projeto Capacitar para Conservar - Fortalecendo a Gestão de Áreas Protegidas no Estado do Amapá.

O curso é financiado com recursos do Fundo Amazônia e gerido pelo Banco de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES)

O projeto tem como objetivo fortalecer a gestão de áreas protegidas do estado por meio da capacitação de guarda-parques, com a expectativa de impactar a gestão do sistema de áreas protegidas na Amazônia. Foram realizadas três etapas do Curso. Duas em 2015 e uma em 2016.

As atividades ocorrerão de 10 a 30 de Novembro de 2016, a serem ministradas em dez módulos intensivos: Biodiversidade e Conservação; Gestão de Áreas Protegidas; Legislação Ambiental Brasileira; Orientação e Cartografia; Uso público e Visitação; Educação Ambiental e Participação Social; Primeiros Socorros; Proteção; e Práticas e Vivências em Áreas Protegidas. É prevista uma carga-horária total de 200 horas-aula.

As inscrições deverão ser feitas até o dia 31 de Outubro de 2016 na sede do Ecam (Avenida Ernestino Borges, nº 1152, Laguinho - Macapá). O curso conta com 25 vagas, voltadas para moradores do interior ou entorno de Unidades de Conservação, além de entidades cuja finalidade institucional seja estratégica para a conservação ambiental na Amazônia.

Acesse o edital com os formulários de inscrição no site do Ecam: Edital do 4º Curso de Formação Guarda-Parques